FIO

Nem Mocinhos, Nem Bandidos…

FIO é um espetáculo tecido com pequenas cenas. Um sapateador que vaga pela noite, um catador de papéis e histórias, um músico popular, um simples transeunte. Nenhum herói. Nem mocinhos, nem bandidos. Os personagens são pessoas comuns, anônimas ou quase, que vagam pelas ruas. São cenas prosaicas da cidade, às quais o marionete empresta uma roupagem delicada e poética. Fio não é um espetáculo “instrutivo”. Não tem a pretensão de ensinar uma lição, nem de mostrar o que é certo, errado, bom ou mal, nem como se deve viver, nem o que se deve fazer. Não há “moral da história”, há apenas histórias. “Tudo história”, como diz uma das personagens. Num espetáculo “instrutivo” há sempre uma “moral da história”. Há sempre um herói, no qual todos devem se espelhar e de cujo ponto-de-vista todos compartilham. Na prática, porém, não existem heróis. Nunca há ninguém certo ou errado o tempo todo. Na prática, cada um precisa ver com seus próprios olhos, tirar suas conclusões e tomar suas próprias decisões. Esse é o aprendizado mais importante. Assim,” FIO” não é um espetáculo “instrutivo” no sentido usual da palavra, mas, tem um caráter formativo. Estimula cada espectador a uma observação mais aguda e uma visão mais poética da vida comum.

O ESPETÁCULO

Foto: Roberto ReitembachFIO estreou em dezembro de 1992, esteve em cartaz em várias temporadas em Curitiba, no Atelier 87 e no Teatro Guaíra. A seguir, iniciou um roteiro de participações em festivais e eventos em âmbito nacional. FIO representou o Estado do Paraná na Mostra Maria Mazzetti de Teatro de Bonecos (Rio de Janeiro, outubro/93), no Festival Internacional de Teatro de Bonecos de Canela (Rio Grande do Sul, 94/95) Feira Nacional do Livro Infanto-juvenil (Ribeirão Preto, outubro/94), Projeto temporadas Populares (Brasilía.DF janeiro/97),e no Festival Internacional de teatro de Animação do SESC Ipiranga (São Paulo, junho 97/98) sempre com grande sucesso de público e Crítica. Em mais de 900 apresentações percorreu várias cidades nos Estados de Minas Gerais, Rio de janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Espirito Santo.

TEMÁTICA

Mais do que um simples espetáculo-solo de marionetes com temas urbanos, “FIO” é um espetáculo a respeito da relação entre o marionetista e o universo poético da vida urbana. A própria tradição dos marionetistas é a de artistas ambulantes, que colhem na rua o material poético para suas invenções e devolvem para a rua o produto final de seu trabalho. É sobre essa relação entre o marionetista e a rua que o espetáculo fala.

ENCENAÇÃO

Para sugerir o clima da vida urbana em cada cena e ao mesmo tempo mostrar o jogo teatral que está por detrás, uma série de recursos são utilizados. Em geral, a peça lança mão de recursos que lembram Brecht, de um lado, e a Bauhaus, de outro, embora os utilize de modo livre e com propósitos muito específicos. Assim, o cenário reproduz uma cidade estilizada, mas deixa à vista as estruturas de uma tapadeira de teatro, e nunca esconde o marionetista. Os figurinos e a própria construção dos bonecos, em dados momentos reproduzem os personagens de maneira realista, e em outros deixam visível o esqueleto da marionete, com suas madeiras, metais, encaixes e texturas primárias. Mesmo o som, a luz e a montagem das cenas, que de modo geral estão repletos de pequenas “falhas planejadas” que, além de serem um excelente recurso cômico, permitem ver, por trás de tudo, o jogo teatral.

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